Dos poucos que dizem
conhecer-me, a maior parte não conhece.
Eu que sou tão quente quanto o sol, e tão fria quanto o gelo, vagueio descalça,
mantendo de perto o contacto com a solidão.
Não sei quem sou, onde estou ou até mesmo qual a minha missão no mundo. É como
uma espécie de vida aleatória, imprevisível e incerta … Uma sensação de
segurança, que em minutos se transforma em medo. O porquê ? Não sei.
Tantas perguntas e tão poucas respostas, tantas promessas e tão poucas foram
cumpridas.
Ser solitário não é uma opção para ninguém. Digamos que é uma consequência de
todas as falhas e por coincidência do destino.
Não é fácil, não é fácil saber que toda a gente olha para nós com um sentimento
de pena e compaixão.
Nunca se trata de antissocialismo, trata-se de ter medo de conviver de novo com
as pessoas, com o feitio de cada uma delas. Pois mesmo caminhando por um
corredor cheio de gente, eu sinto-me sozinha.
Psicológico ou não, o que mais vejo é cidades cheias de gente vazia.
Mas se me perguntarem o que dói mais no meio disto tudo, não é o facto de
estar/ me sentir sozinha, o que dói na verdade é todos os dias ter medo que
alguém me possa magoar de novo, de ter que voltar à rotina do ‘sofre e levanta’.
Pois até mesmo quem é solitário, tem os seus fantasmas.