Olá, há
já algum tempo que não escrevo, mas decidi fazê-lo agora.
São
20:43, e quero desabafar tudo o que me vai cá dentro.
Ontem
foi um final de noite um pouco marcante e melancólico para mim.
Em 3
minutos revivi tudo outra vez. Em 3 minutos vi a palavra ‘bullying’
assombrar-me de novo.
Ela que
tanto tempo me perseguiu, que tanto tempo me atormentou, tinha voltado, e não
havia nenhuma maneira de a mandar embora.
Sabia
que isto mais tarde ou mais cedo provavelmente iria acontecer, mas simplesmente
tentei ignorar esse pensamento, fingindo que ele não existia, e que nunca mais
iria ser perseguida por isto.
O pior
foi que do nada, senti a cara molhada, e apercebi-me de estava a chorar. Não
sei se foi de dor, ou se foi por ter relembrado cada minuto, cada nome feio,
cada insulto e cada humilhação.
Vi
naquela rapariga a ‘tão conhecida’ Catarina Vasconcelos.
Vi nos
olhos dela todo aquele sofrimento, sofrimento esse que infelizmente também vi
de perto.
Recordo
com mágoa todos aqueles que me apontaram o dedo e me disseram que nunca iria
conseguir, todos aqueles que me gozaram.
Não
tenho palavras para tais atos, pois foram cruéis.
Lembro-me
daquelas frases ‘ és deficiente’ ou ‘ Tens trissomia 21’ … magoaram sabiam?
Na altura fiz-me de forte, sorri e fingi ter levado como uma brincadeira de
miúdos, mas só Deus sabe o quanto chorei antes de adormecer, e quantas foram as
vezes em que me olhei ao espelho perguntado se o erro estava em mim. Pois,
foram essas ditas ‘brincadeiras’ que fizeram com que me sentisse assim, com
vergonha de mim mesma e principalmente fizeram com que o meu orgulho e o meu
amor-próprio se reduzissem a nenhum.
Mas
sorri, fiz-me de forte e aguentei tudo sozinha, não contando a ninguém o que se
tinha passado, nem mesmo à minha mãe. Pois sabia que toda a gente apenas iria
dizer ‘ Não ligues, são estúpidos’ ou então ‘ vai ficar tudo bem’. Mas isso?
Isso não chega ! Então como ninguém iria entender como realmente me senti guardei tudo para mim e ultrapassei tudo isto sozinha.
Se foi
fácil? Não de todo, porque todas aquelas palavras entoavam na minha cabeça, e
até mesmo no silencio elas se faziam ouvir.
Hoje?
Ultrapassei isso, ou pelo menos espero ter ultrapassado.
Mas sei
que de cada vez que ouvir alguém falar em bullying, eu vou identificar-me com
cada testemunho e com cada olhar de sofrimento de todos aqueles que já foram
vítimas.
Aconteceu,
relembrei tudo e hoje estou aqui a partilhar com quem quiser perder um pouco do
seu tempo para ler.
Só tenho
mais uma coisa a dizer: A todos aqueles que me gozaram, que me humilharam,
inferiorizaram e duvidaram do que sou capaz e me tentaram deitar abaixo, mando
comprimentos, pois eu?
Ainda
continuo de pé.