A fase da revolta já passou, essa era a fase em que perguntava
a todos incluindo a Deus o porquê de te ter tirado de nós. Em que tinha
inúmeras perguntas e nenhumas respostas. Em que achava uma injustiça tudo o que
fizeram contigo e todo aquele sofrimento que te causaram. Mas não podia ser
para sempre, então aí chegou a fase que será eterna, a fase da saudade. Há
muitas formas de lidar com ela, eu não sei qual é a minha, mas o que sei é que
lido com ela, umas vezes melhor outras vezes pior. Não me resta muito, resta-me
relembrar-te por todos os teus feitos, por todas as tuas vitórias, ensinamentos
e também por todos os momentos menos bons. Não vou dizer que a revolta já foi
embora, não foi e se dissesse iria estar a mentir … Ela continua cá dentro, guardada,
mas simplesmente apreendi a ignorá-la. Mas com a saudade … Essa é bem
diferente. 24h sob 24h presente, sem folgas nem feriados, está cá sempre, a
fazer-me lembrar que tu já cá não estás e que a única coisa que restou foi a
mera saudade desta perda inconsolável.
Há quem diga que com o passar dos anos ela atenua, mas a verdade é que não
desaparece e é isso que mais fere alguém que tenha perdido uma pessoa como eu
te perdi a ti. Perdi-te e eu sei. Não voltarás mais. Mas eu estarei todos os
dias na esperança constante de que a qualquer hora, tu voltes a entrar por
aquela porta e sorrias para mim.