A minha vida em palavras.


Numa leve e aparente descrição, por meras ou simples palavras , por complexas ou extensas frases , nada irá dizer o quanto ela o amava.
Julgava-se culpada por um amor falhado. A palavra constava na sua mente tanto como o silêncio.
Ambos eram mutuamente dissipados pelo redor dos extensos corredores em que se via perdida. Murmurando sobre o vento friorento e sobre o vidro rachado de uma janela á qual por ali passava despercebida durante as longas horas do dia , ela , vou dar-lhe o nome de Joana , predominava ali, horas a fio, á espera que ele chegasse.
Imaginava-o num cavalo branco , a erguer a sua espada para meio mundo , a dar-lhe a mão e a levá-la para um dito e imaginado paraíso.
A joana nada a fazia distrair , apenas os lindos olhos dele , com cor de azul oceano , rosto pálido , com uma expressão de felicidade,  um sorriso que não era morto pela distância.
E era joana quem tentava beber desse amor , que para alguns era proibido , ou ate mesmo o maior disparate, sem ninguém sequer poder achar ponderável tão belo gosto de amor.
E dando por si , joana , estava chorando , pedindo a tudo e todos que para que o tragam de volta, para que ela possa beber mais uma vez daquele amor , que afinal sim , a mantinha viva até aqui.
E todos vendo , ninguém se aproximava , pois para todos aqueles infiéis amigos , ajudar , era a tarefa mais difícil de alguma vez realizar. Talvez por só se preocuparem com o seu umbigo , consigo próprios.
Cabia-lhe a ela decidir o futuro. Ou lutava ou deixava-se estar quieta , no seu canto , olhando sobre aquele vidro rachado , já visto mais de um milhão de vezes , ou então sobre a brisa daquele vento já soprado tantas , mas tantas vezes , que até já se sabia a sua melodia de cor.
Com um olhar arrepiante e por vezes delicado , todos os dias , era uma situação deveras constrangedora ..
Debruçada sobre uma varanda , joana cantava. A arte do cantar era aquela que nas noites mais melancólicas ou até mais desagradáveis , uma tremenda voz a acalmava , a punha sossegada ,  sem pensar em nada que a fizesse baixar os braços e pensar em desistir.
E num simples ato ela poderia ter reduzido a sua vida a cinzas ou até mesmo a um cadáver assustador , sem alma , vazio.
Podia tê-lo feito, mas na verdade é que não o fez.
Muitas pessoas lhe perguntam a maior parte das vezes se foi por falta de coragem. Mas a sua resposta permanece inalterável. 
Penso que necessitava de um aconchego , de um abraço mais forte. Mas por vezes o necessitar não chega , e o verbo isolar acaba por invadir toda a planície de vastos sentimentos que ao início estavam bem definidos e claramente á vista de todos os que tivessem a capacidade de olhar em redor e ver a felicidade de quem até ao fim lutou sem recuar um único passo ou minuto.
E já cansada de pormenores, de falsidade e mentira ela limita-se a pôr um ponto na história que até hoje foi a mais bonita de toda a sua vida.
‘’ Is never too late’’ foi a ultima frase dita por joana , antes de se sentar e tomar a decisão que até hoje lhe custou a aceitar. O fim.
Pois ainda hoje ela olha para o vidro rachado, já basso e com riscos , já velho e facilmente quebrável, devido aos anos que se foram passando.
Ainda hoje ela lhe chama de ‘’dela’’ o mais nobre rapaz que fez o seu coração palpitar e acelarar o seu ritmo cardíaco , cada vez que mencionava o seu nome.
Ainda ontem , ainda hoje , e para sempre , joana dir-nos-á a mesma coisa que há anos atrás.
Ele pertence-lhe e nem o mundo , que é para uns uma coisa tão magnifica , e que para outros não lhes diz nada mais que uma pequena esfera rotativa que faz com que haja mais um hoje ou um amanhã.
Perseguindo todos os caminhos possíveis para o encontrar , joana cada vez se encontrava mais a si própria num beco sem saída.
Mas não se limitou a esquecer os acasos e detalhes surgidos em diversas ocasiões, tentou-se levantar mesmo quando para ela , a vida não lhe dava indicações de um futuro promissor.
Para um pianista o seu maior medo é ficar sem as suas belas mãos , que algo o possa impedir de fazer suar suaves e ternurentas melodias.
Mas joana , daria tudo , incluindo sacrificar os sonhos de uma vida inteira , mas tudo isto apenas para o poder ter ao lado dela , nem que fosse por apenas um dia ou uma hora.
Os mais pequenos momentos , transformaram-se nas maiores lembranças , coisas que para alguns passava despercebido.
Num olhar adormecido a recordar um dia que para sempre será recordado , lá estava ela, mas desta vez , com lágrimas a escorrer-lhe pelo seu rosto húmido e crucificado por uma vida que não foi doce nem um instante ..
Naquela vida , que se pode designar por amargurada , joana era incapaz de esquecer aqueles abraços , aqueles telefonemas mais caricatos ou os mais sérios.
Mas .. tinha de se mentalizar que vê-lo , ou senti-lo ? Se tornara um sonho a cada dia que passava.
Por circunstancias maiores , joana tornava-se cada vez mais incompreendida por parte de todos.
As fotografias relembravam uma jovem feliz , com o maior sorriso do mundo , com o maior olhar aparvalhado!  Mostravam uma outra joana , uma frase aonde o sujeito era simples ou por vezes composto , com palavras ou atos de carinho para com esse mesmo.
Hoje já não. Hoje conhece-se uma joana apagada como o fogo quando junto com água , uma rapariga cujo humor é como a comida sem sal , torna-se sem graça.
Por dóceis momentos , ela sorriu , junto daqueles que lhe faziam bem, embora que ela mais deseja-se ter ao seu lado , não estivesse nos momentos pretendidos.
Nunca acreditou em sempres , mas para joana a eternidade era uma coisa difícil mas possível de alcançar.
Um amo-te que por vezes parecia mais um esforço vindo do outro lado , do que mais propriamente um sentimento verdadeiro.
Um farto, era o que joana se sentia perante tal situação.
Há medida que tentava esconder um sofrimento tão rebuscado ,ainda mais o mostrava sobre as várias lágrimas derramadas , não escolhendo ocasião ou momento algum para se sentar num canto e chorar.
Ignorava o telemóvel. Isolava-se. Sentia-se inferior num olhar adormecido. Encontrava-se em pleno filme de terror que jamais queria ter conhecido e visto.
A vida , essa? Palavra de 4 letras e um grande significado?  Isso é para joana uma mentira horrenda. Grande significado ? nunca o teve. Sempre pensou que fosse mais um ou menos outro dia. Já nada lhe fazia a diferença , observando gente tão igual.
Sente saudade , mas mais que isso , sente mágoa. Mágoa essa , por querer sorrir e o coração não deixar. Por amar que devia permanentemente odiar até ao fim dos seus dias de vida.
Nada. Vazio. São estas as palavras que a classificam neste árduo momento.
‘’Lutarei até ao fim’’. Era esta a sua expressão mais usada , num vocabulário tão simples e rico em drama.
Considerava a vida uma dramatização já sabida de cor. Os guiões e as falas já não eram algo de novo, era uma coisa que já não a surpreendera.
O porquê ? Penso que nem ela pode dar essa resposta , pois ao longo da vida se questionou sobre vários destinos e nunca obteve a resposta.
Não se acredita em promessas. E quem não ousar em perceber a sua mente , ela não se esforçará , deixa o tempo encarregue disso. Pois ele e deus sabem melhor que ninguém o que irá acontecer. Quer seja bom ou mau. Alegre ou triste.
Diz adeus aos amigos trocando-os por uma depressão parcialmente indefinida.


Julgava-se particularmente uma egoísta. Pois para ela tudo o que não fizesse parte da sua lista de objetivos , ela não fazia grande alarido. Preocupava-se com os amigos , por vezes até demais , esquecendo-se de si própria, porque para ela ? 
Vê-los sorrir era tudo. Quem tirasse o sorriso daquelas pessoas designadas por maravilhosas , únicas e vidas a qual deus não merecia punir.
O relógio dava voltas e voltas , mas o tempo parava , sentindo-se assim joana , uma alma vazia , aonde já nada restava ..
Ela precisava de um ‘’ele’’ mas como já era rotina , não tinha. 
Era incapaz de sobreviver de tal forma transtornada. Aquele sofrimento já se tornava paranoia , já era uma coisa prejudicial á sua saúde , mas mesmo assim , era inevitável não chorar todas as noites e não vomitar com a camada de nervos que por aquele cérebro lá passava.
Num dia solitário , onde reinava a chuva e predominava a tempestade sem querer nada em troca , mantinham-se ali, batendo granizo contra o mais tão conhecido vidro da tão revista janela. A da casa da joana.
Abria o caderno , pegava numa caneta e escrevia , escrevia , escrevia ..
Até não existirem mais linhas , até o sol se pôr era ali que passava parte das suas horas sombrias e obscuras , escrevendo versos , e textos narrativos sobre si.
Não era nada. Variavelmente frágil como o clima. Já estava por tudo. Já tinha visto de tudo, sentido um pouco de tudo e mudado tudo em si.
Ela própria relembrava doces tempos de infância a qual ainda vagamente se lembrava, e admitiu que não se reconhecia.
Chamavam de mentirosa á lua , mas quem mais mentia era o espelho, dizia joana.
Nunca souberam o porquê de tal afirmação, mas soube-se que era uma miúda com um passado malvado , repugnante e de fazer qualquer um chorar!
Sentia-se intolerante para com a vida. Insultava-a dia após dia , pelo que dizem.
Constantemente tremia sobre os murmúrios do vento , na esperança que ele voltasse. Mas ..
NADA. Num nervosismo permanente joana levava a sua vida , no que para uns um trauma ou uma ferida irrecuperável , para outros a normalidade de um dia a dia de uma pessoa comum.
Chegava da escola , aí começava o fingimento de uma vida feliz e sem qualquer tipo de problema aparente.
Dava um sorriso , falso. Um olhar distante , cujo tentava disfarçar com maquilhagem. Uns lábios secos , que dizia ser por causa do frio.
Mas tudo isso , seriam sintomas de uma possível paranoia ou depressão invisível.
Encontrava-se em coma mental , sem qualquer ato psicológico ou físico. Não sentia emoção ao ver um casal apaixonado , não sentia tristeza ao ver-se nesta verdade. Apenas sentia um vazio, vazio esse que a ia completando com o passar do tempo ..
Uma louca e descontrolada vontade de se atirar para o abismo se prenunciava aterradoras palavras enquanto o seu coração era esfaqueado pela palavra impossível.
Limitava-se a aceitar que o seu sonho de ter um príncipe num cavalo branco que a pegasse ao colo e a levasse consigo tinha terminado. Que aquela paixoneta em criança já não existia , que ela própria tinha envelhecido ao lado da dor , essa companheira que nunca a tinha abandonado infelizmente.
Permanecia intacta a sentimentos e alegrias , era como se joana tivesse um escudo protetor dentro de si. Talvez tivesse frieza , gelo até. Da maneira de como se isolou para com o mundo e para com as pessoas , não admirava nem deixava as pessoas boquiabertas.
Mas essa era uma questão deixada em aberto pela multidão que a rodeava.
Ela perdeu o chão , o ombro amigo , o urso de pelúcia que já não estava lá para ser agarrado e para a ver chorar.
Era ela , uma rapariga aparentemente vulgar , mas bastante frágil por natureza.
Aquela que suportava um estalo na cara mas não um insulto.
Tolerante para com os outros mas também para consigo mesmo.

Agora , num ápice , tudo se reduzia a um mero e simples detalhe de um contacto de telemóvel.
Um coração que á vista do mundo parecia insignificante , que em vez de estar reluzente de luz , estava penetrado pela escuridão e a obscuridade de um ser não compreendido não por um , mas sim por todos os que a rodeavam.
Tento perceber o quanto Joana temia viver a cada dia que passava , pois devia ser tão terrível sentir-se sozinha , tão horrendo não ter ninguém que extermina-se essa dor.
Faltam-me as palavras para descrever todo aquele sofrimento pela qual ela passara.
Admito que a ideia de ela ter um pai que não estivesse presente a decompunha a cada hora.
Saber que ele não estava lá no dia do seu aniversário , por seus meros caprichos , doía-lhe imenso.  Ver todos chamarem de herói aos pais e ela só poder chamar á mãe. Porque pai ? Pai tinha sido o padrasto que ao longo de uns vastos 7/8 anos cuidara dela e de sua mãe , com amor e carinho, por mias discussões que tivessem havido , eles eram os 3 muito felizes, mas joana , creio que sentia uma vontade enorme de usufruir da palavra pai. Afinal de contas 9 anos sem ter a presença desse mesmo , passaram a correr , mas ela não esquece, ela não esquece por tudo o que passou na infância , ao vendo outras crianças fazerem coisas bonitinhas para o dia do pai e ela simplesmente não fazer para o biológico mas sim para aquele que realmente lhe deu tudo o que pôde.
Isso era das coisas que mais lhe fazia confusão. Era ter um dos nomes de alguém a quem considerava um estranho , típico de uma pessoa que lhe fosse desconhecida.
Mas dia a dia ela tentava alimentar-se de uma esperança , que lá no fundo restava das sobras da tristeza e da solidão.
Dizia Joana não guardar rancor. Dizia olhar para a Lua e para as estrelas e murmurar estar tudo bem.
Debruçava-se sobre a varanda a observar o quão lindo era o céu , e o quantas vezes já se desejou lá ver, ao lado do seu avó , que partiu sem ela saber ao certo o momento em que foi.
Imaginava-se lá , a tomar conta da mãe e a dar uma lição aos maus e a ajudar os bons como sempre tentou fazer até agora. Mas por vezes algo lhe fazia descer á terra , para ver que nem tudo estava perdido. Que o sorriso da sua mãe valia mais que isso mesmo: uma vida desperdiçada.
Que por mais que a vida a empurra-se para o abismo ela sorria. Por mais que esse sorriso não fosse tão verdade quanto tudo esperava , ela esforçava-se, para não chorar , para não desistir de tudo a meio da jornada.
Há que confessar que para Joana isso foi das tarefas mais difíceis de encarar.  Mas mulheres a sério não sobem na vida deitadas. Sabia que se tinha que levantar para um dia se sentir concretizada.
E agora ? Agora ela está desesperada porque ele mais uma vez veio e voltou a ir sem avisá-la de que mais uma vez a história se voltava a repetir.
Apesar de serem amigos á mesma, ela continuava a amá-lo de uma forma tão incondicional , que nem ela própria sabia como era possível tal sentimento por alguém que já lhe tinha feito quase desistir da vida.
Seria joana capaz de aguentar mais tempo assim ? Num nervosismo constante ?  Sinceramente não vou negar que se fosse comigo , que eu provavelmente desistiria antes que acabasse por me magoar a sério.
Se é que ela já não o fez, sem se aperceber (…)
Continuava sem perceber o porquê de as lágrimas todas as noites fazerem a questão de a acompanhar.
Joana na verdade sabia o porquê , sabia a resposta a essa pergunta , mas .. custava-lhe tanto pronunciar tal coisa , que fazia-se de esquecida , pois era mais fácil encarar a verdade de longe..
Ele continuava distante , continuava sem lhe dizer nada , sem um motivo ou explicação aparente para que se tivesse ido embora daquela forma.
Eram poucas as coisas que a acalmavam , não era jovem de álcool nem de drogas ou tabaco. A ela bastava-lhe uns fones nos ouvidos , volume bem alto e tudo para ela voltava a fazer sentido.
Confessava que o momento em que mais pensava na vida e por vezes temia certas decisões e consequências era no duche , a levar com água na cara , sobre um rosto de poucas expressões , que desfalecera sobre tudo o que restava.
Era aí , por estranho que pareça , era. Dos 20 minutos , 15 eram para pensar , ali , permanecendo imóvel debaixo de água e 5 é que realmente era para fazer a tarefa destinada.
Sabia que não era a única. Que milhões de pessoas poderiam estar a sentir o mesmo do que ela , mas não seriam os outros que iriam aliviar tal tristeza , mas sim ela , continuando a lutar , sem desistir , sem vacilar.
Por mais difícil que fosse ela tinha de o fazer. Com 14 anos , o que uma chamemos-lhe ‘’menina’’ que deveria estar a viver a vida na flor de idade , já viveu.
14 anos , que a fizeram ter de crescer mais rápido que as outras raparigas , que a fizeram uma mulher mais cedo e uma mentalidade mais sólida sobre a matéria da vida.
Toda a gente estava por perto , mas só ela sabia quem eram aqueles que nunca a abandonaram , que estiveram sempre lá , sem qualquer interesse. Eram poucos , mas desses poucos que eram , ela sentia-os sempre com ela , quer estivesse a chorar , quer estivesse prestes a desistir de tudo , ela a cada minuto pensava neles como se fosse o último.
Poria tudo em causa , para os ver sorrir. Por mais loucura que possa parecer.
Uns meses depois ela continuava igual. Travando uma luta contra a vida dia após dia. Com um sorriso no rosto , não parecendo nada.
Mas chegou a hora da verdade ..
Mas o mais triste desta história toda não é o que esta mesmo contém.
O mais triste é saber que a personagem a quem dei por nome ‘Joana’ era eu.